Bővebb ismertető
A OUTRA FACE DE ENEIAS*
A morte lem muitas caras. Tanías quantas os morituros. Porque a sua, a verdadeira, é sempre igual a vida.
Muito bem o sabiam os Latinos, que a morte e a vida deram um sexo apenas, o sexo feminino. No mundo mediterrânico, a Deusa-Mâe que gera a vida é a mesma que gera a morte. A diferença consiste só no movimcnio, no sentido desse movimento, de uma luz para outra luz, percorrendo o caminho da escuridáo.
Há dois mil anos, Virgilio pcrcorreu esse caminho. E foi um caminho doloroso. Tao doloroso que, no leito de morte, o poeta quis destruir o seu poema. O poema que era o seu testemunho. E teria destruido, se o deixassem, por suas próprias mâos. Era uma forma de des-
Liçâo proferida no II Curso de Actualizaçao de Línguas e Literaturas Clássicas (Faculdade de Letras de Coimbra: Abril de 1982) e publicado em Humanitas 33-34 (1981-82) 81-94. Sobre a interpretaçâo exposta, consultar, principalmente: ALLAIN, R., "Une 'nuh spirituelle' d'Énée": REL 24 (1946) 189-198; BRISSON, J.-P., "Le 'pieux Énée'!": Latumus 31 (1972) 379-412; CLAUSEN, W., "An interpretation of the Aeneid ": llSCPh 68 (1964) 139-147 (= Virgil ed. COMMAGER, S., Englewood Cliffs, Prcntice Hall, 1966, 75-88); COMMAGER, S., "Introduction" to Virgil cit., 1-13; DE GRUMMOND, W. W., "Aeneas despairing": Hermes 105 (1977) 224-234; DEL'.A CORTE, F "Presentazione" dell' Eneide. Traduzione, presentazione e commento di Milano, Mursia, '^191 A, 5-12; JOHNSON, W. R., Darkness visible. A study of Vergil's "Aeneid", Berkeley — Los Angeles — — London, University of California Press, 1976 (1978); MAGUINNESS, W.S., "L'inspiration tragique de YÉneide ": AC 32 (1963) 477-490; PARRY, A., "The two voices of Virgil's Aeneid ": (Arion 2 )1963) 66--80 (= Virgil cit., 107-123); PERRET, J., "Optimisme et tragédie dans VÉneide ": REL 45 (1967) 342-362; PUTNAM, M. C. ]., The poetry of the "Aeneid". Four studies in imaginative unity and design , Cambridge (Mass.), Harvard University Press, 1966; QUINN, K., Virgil's "Aeneid". A critical description, London, Routledge & Kegan Paul, 1968 (1969, 1978); REINHOLD, M, "The unhero Aeneas": C&M 27 (1966) 195-207; STAHL, H.-P., "Aeneas — un 'unheroic' hero?": Arethusa 14 (1981) 157-177- WIESEN, D. S., "The pessimism of the eighth Aeneid ": Laiomus 32 (1973) 737-765; WILLIAMSW , R.D.Jhe Aeneid of Virgil. Edited with introduction and notes by London, Macmillam (St. Martin's Press), I, 19, 155, 167, 177, 184 e passim;WILS0N, J. R "Action and emotion in Aeneas": G &R n. s. 16 (1969) 67-75.